Arquivo do mês de Novembro, 2009

POPNPG – (mais) uma solução infeliz?

Quinta-feira, 19 de Novembro, 2009
Esta entrada é parte 5 de 9 na série Portaria 1245 - Taxas ICNB

HPIM4285Ao ver, e sentir, esta vaga de desespero bilateral na turbulenta discussão do POPNPG, fico preocupado com alguns comentários e opiniões vindas dos mais diferentes quadrantes. A minha preocupação prende-se com a união, factor que considero fundamental para o sucesso de qualquer contestação contra este tipo de situações/instituições. Cada um defende a sua Dama. E é isso que me preocupa.

Lesados? Lesados somos todos, no meu mais simples entender! Os Residentes, os Lavradores, as Associações, os Clubes, as Empresas, os Visitantes, enfim, Todos!

Beneficiados? Muito sinceramente, já não sei o que pensar. Se, pelo menos a Natureza fosse beneficiada, aceitaria e ponto final! mas não é isso que transparece, infelizmente. Cheira a negócio! Há coisa que não podem ser encaradas e decididas, baseadas apenas na análise cega de parâmetros de quantificação submetidos a modelos pouco testados e não aferidos às circunstâncias. As coisas especais, as que fazem a diferença, são, por isso mesmo, especiais. Necessitam de conhecimento profundo e, sobretudo, isento e despreconceituado! Não se pode começar pelo fim.

Para onde isto pode caminhar?

Ainda temo mais! mais preocupado fico quando penso que, tal como vejo apelos a ignorar as disposições actuais, os mesmos sentimentos tenham uma consumação, uma catarse mais “quente”, e tudo passa a cinzas!

Já me doí, só de pensar nisso. Mas vejo-o muito mais provável depois de ter assistido a momentos incríveis na assembleia de ontem no Gerês. A tensão do clima patente nos sussurros e a disciplina na contenção dos ódios …preocupa-me muito. Que maus pensamentos (recordações?) me invadiram.

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Março de 2009 - Vale do Alto Homem

 

O Hipócrita é como um arco.

Quinta-feira, 19 de Novembro, 2009
Esta entrada é parte 4 de 9 na série Portaria 1245 - Taxas ICNB

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O Hipócrita é como o arco. Quanto mais se dobra, maior é o golpe.

Não podemos esperar mais nada. Falsidade e hipocrisia q.b. Fingimentos e falsas promessas. Esses sim, são os valores que predominam! Os verdadeiros ingredientes desta caldeirada!

Quanta mais esperança nós colocarmos nas resoluções e consequências da entrada em vigor do novo POPNPG, maior será a nossa desilusão. Sem fazer profecias, acredito que este lobo com pele de cordeiro, vai continuar a fazer das suas. Senão vejam:

- No debate de ontem, sobressai a promessa de que tudo será possível no futuro, desde que fundamentado e apresentado formalmente por escrito. Sabemos que não será assim. Aquilo que são “fundamentos interessantes” para uns, são-no “inaceitáveis” para outros; Ganhar tempo e deixar em “banho Maria”, são as estratégias prioritárias. …(e não se queixem – até houve debates, não houve? e ninguem disse nada, pois não?…)

- A portaria 1245/09  já está em vigor. Mesmo absurda, mesmo assim vigora! Apre! é preciso ser tanso para não entender isto! Quem está mal, de momento, são aqueles que para lá vão sem autorização e sem pagamento! isto é o que diz a Lei. Logo, quando tiverem que (e quiserem) agir… a lei está lá, e está do lado “deles”. O que respondeu o parque ao Rui Barbosa? Tudo bem, muito bem, mas PAGA e não bufes. …porque a portaria diz que tens que pagar….e como a gente (eles) ainda não sabe como isto vai funcionar, para já “só estamos a dar cumprimento à Portaria” dirão eles. Em que ficamos?

Ninguem é “o pai da Criança”. O PNPG e o ICNB, não tem culpa nenhuma. Andaram a “fazer filhos na mulher dos outros”. Ficam com o prazer,  não assumem a paternidade e a gravidez é um problema (só) da mãe. A culpa é da Comissão Mista que pariu o enjeitadinho. E assim, a culpa morre solteira. Alguma (culpa) pode sobrar na argumentação de que, a Pan Parks é muito exigente…e nós , nós que agora já aderimos, temos que cumprir!!!

Somos os tais que estamos, sempre que temos algo para resolver, estamos a “desenvolver projectos”, a “criar Comissões” e a “estudar o assunto”. O que é certo, é que os anos passam e os chicos espertos nos enganam com promessas ricas, qual ouro dos ciganos: – O pechisbeque!

 

Revisão do Plano de Ordenamento do PNPG – 3ª sessão esclarecimento

Quinta-feira, 19 de Novembro, 2009
Esta entrada é parte 3 de 9 na série Portaria 1245 - Taxas ICNB

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Centro de Animação Termal do Gerês. Um auditório cheio. (mesmo com futebol da selecção na TV!!!)  Uma discussão que deixou sempre transparecer o clima de “mau estar” de lado a lado, e que nada veio acrescentar ao velho, longo e carrancudo problema do PNPG, nomeadamente os seus regulamentos e o convívio nada pacífico com as populações integrantes. ( e não só)

Quanto à famigerada portaria 1245/2009, e à boa moda portuguesa, vai ser…vai ser…vai ser qualquer coisa que não se percebe bem. Explicando um pouco melhor, o que será difícil devido a preciosismos de linguagem utilizada com requintes de malvadez, tais como reformulação, rectificação, correcção ou revogação, penso que a coisa vai acabar pelo são convívio na paz podre – ” Não faças ondas…Eles fecham os olhos”., por exemplo, ” é proibido, mas pode-se”…ou então o célebre, e diga-se que caí como uma luva, “para Inglês ver”.  Poderá facilmente ser adaptado com ligeireza, para “Pan-Parks ver”.

Infelizmente temo não estar muito longe da verdade. Isto é cosmética. O que era preciso era uma cirurgia plástica de reabilitação funcional. Infelizmente continuamos a Parecer e não a Ser, quando autenticidade é o que não falta àquela terra e àquelas gentes. Fiquei triste com o que vi.

Ah! é verdade, já me esquecia…Uma questão que me ponho: Não seria lógico, já que é uma discussão PÚBLICA, que o ICNB e o PNPG disponibilizassem as opiniões, sugestões e criticas, que vão recebendo? Não deveria haver acesso público a essa informação?

 

200,00€ de tretas

Quarta-feira, 18 de Novembro, 2009
Esta entrada é parte 2 de 9 na série Portaria 1245 - Taxas ICNB

Ainda sobre a portaria 1245/2009

Somos um País (ainda somos um País, atenção!) de brandos costumes e de culto à hipocrisia. Quem sou eu para dizer isto? não sei nem me interessa. Sei que, e isso sei-o bem, que tenho toda a legitimidade (por enquanto! ufa!) para o dizer, enquanto é apenas a minha expressão daquilo que sinto. E é só por isso, pelo que sinto enquanto “utente” daquele(s) espaço privilegiado(s) como é o Nosso Gerês (entre tantos outros), que manifesto assim a minha indignação. Quando digo indignação, de modo algum quero referir surpresa. Já todos sabíamos, que da forma como as coisas caminharam nos últimos tempos – “últimos” entenda-se como “desde sempre”- pouco mais havia a esperar e que as coisas, mais tarde ou mais cedo, acabariam (continuariam, pois acredito que ainda não temos tudo. Isto ainda não acabou, já que é sempre aos “bochechos”, cada vez mais neste país) com resoluções deste tipo. Claro clarinho, está o facto de que, acima de tudo, temos que  pagar. Como sempre. Pagar. Multar. Julgar (?) Condenar. E depois, pior do que levar com tudo isto, é ter que aceitar que isto é em defesa da Natureza.

Devagar, devagarinho…Não me venham com histórias. A defesa da Natureza precisa de tudo menos de políticas economicistas e discriminatórias. Património, Cultura, Saúde, não podem, nem devem, ser negócio chorudo para uns e sustentado pelos contibuintes. Mas, infelizmente, são um negócio. E um negócio da China!!!

Já vivi tempos em que era preciso pagar uma licença para uso de isqueiro. Hoje, não passa de um facto histórico que só nos pode envergonhar. Serviu para proteger monopólios e interesses privados. Recordam-se?

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Para que servirá esta portaria? Fácil de perceber…

Minas dos Carris – panorama

Terça-feira, 17 de Novembro, 2009

 

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O Rio Castro Laboreiro

Segunda-feira, 16 de Novembro, 2009

Tramo entre Ribeiro de Baixo e Olelas, visto da margem Galega.

Entre o Rio da Peneda, – seu afluente na margem direita -  e a aldeia de Ribeiro de Baixo, o Rio Castro Laboreiro apresentava-se forte e vigoroso, alimentado pelas chuvas fortes e acelerado pelo vale onde corre.


Mistura de águas vista do Quinxo

Domingo, 15 de Novembro, 2009

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(da esq para a drt ) – Na margem esquerda do Rio da Peneda (1º rio da esq para drt)  até ao Rio Castro Laboreiro:

Fraga das Pastorinhas – Pena Calva – Curral Dianteiro


Olelas – Ribeiro de Cima

Domingo, 15 de Novembro, 2009

ponte12

Tinha decidido que, chovessem picaretas ou não, iria caminhar no Sábado. O caminho é que teria de ser ajustado ao tempo, pois o tempo estava fácil de prever… A avaliar pela noite sexta-feira 13 – interrogava-me eu na brincadeira – como poderia chover mais no dia seguinte? onde estaria tanta água? É que caiu toda ao mesmo tempo! Nessa noite, pelo Lindoso acima, vi-me e desejei-me para chegar a Lobios, tal a chuva, a trovoada e as fortes rajadas de vento.

A chuva, cedo pela manhã de Sábado, não dava grandes tréguas. Indeciso, rumei a Terrachá seguindo depois para A Illa para subir até Olelas, onde cheguei cerca das 9:30. Antes de me meter ao caminho, aproveitei a passagem de um residente para pedir algumas informações. De uma simpatia extrema, ofereceu-se, já que tinha que ir para esses lados, para me acompanhar até ao fim da aldeia e indicar-me o caminho. De forma inteligente e ponderada, foi-me aconselhando muita prudência com o trilho que me propunha fazer.

“…olhe que se esta névoa pousar, está perdido! Até gente da terra se perde. Só tem uma solução. Cara ao rio, siga-o, e irá apanhar um estradão. Não tente subir. Cuidado com essas corgas. Levam muita água, e não tente passar se vir a coisa difícil…Não vá p’ra aí sozinho, home!” dizia-me, de forma simpática e em tom muito amigável, como se de conhecidos se tratasse.

Palavras sábias, as desta gente, fruto da experiência acumulada e da vivência do monte. A sua preocupação para comigo era grande e sincera. Conversámos um pouco enquanto caminhávamos. Foi preciso e claro nas indicações que dava. Até “tempos ” me estabeleceu, ajudando de forma preciosa, caso o tempo se pusesse mais duro.  No final deu-me um voto de confiança. Separámo-nos ao fim de 10 minutos de caminho,  e na despedida eu prometi-lhe assinalar o meu regresso passando em sua casa quando voltasse, tais eram as suas preocupações.

Depois das últimas casas da aldeia, um caminho empedrado – que o senhor designava “caminho de carro” – marcado de quando em quando com os sulcos das rodas dos carros de bois, descreve, a meia encosta, quase sempre à mesma cota, um trilho até ficarmos de cara voltada ao Rio Peneda e a Mistura de Águas. A confluência dos dois vales estreitos, a menos do tempo que se fazia sentir, observado desde ali, é um panorama extraordinário. De aí em diante, um carreiro de pé posto contornando o Rio Castro Laboreiro, com vistas maravilhosas sobre a margem portuguêsa e com o Outeiro do Quintano e as Gralhas do Quinxo, sobre nós, aproximamo-nos do rio.  E o Sol encorajou-se durante uma horita. Campos (cultivados!) anunciavam a chegada a Ribeiro de Baixo. O trilho leva-nos até à ponte, para todos os efeitos uma passagem fronteiriça! O regresso foi feito pelo mesmo trilho debaixo de chuva intensa e vento forte pela frente. A repetir… Com menos chuva!



Portaria 1245/2009 – Uma “Carta de Amor” à Natureza

Sexta-feira, 13 de Novembro, 2009
Esta entrada é parte 1 de 9 na série Portaria 1245 - Taxas ICNB

Relativamente à Portaria 1245/2009 de 13 /10/2009.  “Taxas devidas pelos actos e serviços prestados pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), I. P.”acredito que tudo foi pensado, estudado e produzido, sempre, e só, numa perspectiva de defesa da Natureza. E uma “ligeira actualização de taxas”, já me esquecia.

Deixemo-nos de tretas!….O lucro (e não há outro nome), é a única coisa que sobressai desta portaria. Qual protecção da Natureza, qual carapuça!!! Ridículo….


Perdoa-me Fernando Pessoa. Desculpa Álvaro de Campos, mas ocorreu-me!, e não me contive. Nada melhor que um engenheiro – virtual, para todos os efeitos – para falar de Portarias. Não é para gozar contigo! É para gozar com eles. Dei-lhe um arranjinho. Desculpa a atrocidade.

Todas as Portarias são
Ridículas.
Não seriam Portarias se não fossem
Ridículas.

Também cumpri em meu tempo Portarias, 
Como as outras,
Ridículas.

As Portarias, se há Justiça, 
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca cumpriram
Portarias 
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que cumpria
Sem dar por isso
Portarias
Ridículas.

A verdade é que hoje 
As minhas memórias 
Dessas Portarias
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

As barragens e o negócio da água

Quinta-feira, 12 de Novembro, 2009

ver notícia do DN aqui

Como é possível deixar para último a apreciação dos estudos de impacte ambiental?

Ah! Já sei. Porque no fim de contas, como de costume, é sempre o mesmo:  “Isto faz-se…. e mais nada!”. Independentemente do relatório, “isto é para fazer”….e pronto! porque eu quero!!! porque o governo definiu metas!  e não se pode ir contra essas metas! Porque alguns lucram com aquilo que é de todos. Porque já estão pre-adjudicados! (pois já…pudera!) e só falta ouvir (entenda-se, deixá-los falar) os parvos de sempre, os ambientalistas…

 

Depois disto tudo, reparem nas comparações “à Portuguêsa”: “ao contrário de outros países, Portugal está longe de atingir o limite do seu potencial hidroeléctrico, com este plano, ficando pelos 50%, quando há países que já chegaram aos 80%”

Temos sempre que nos comparar!!! Assim, sim! Importámos modelos, mesmo que os outros os tenham abandonado. Importamos a bestialidade dos outros e damos-lhe a dimensão portuguesa. Uma vergonha!

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Transcrição da notícia publicada no DN em 12NOV09:

Barragens avançam em 2010 apesar das críticas

por CARLA AGUIAR

As obras do plano nacional de barragens arrancam em 2010, estando apenas pendentes da apreciação final dos estudos de impacte ambiental. A reposta às críticas de relatório encomendado por Bruxelas segue em breve.

O plano nacional de barragens, que prevê a construção de oito albufeiras, a partir do próximo ano, vai manter-se, apesar de um relatório encomendado pela Comissão Europeia ter levantado duras críticas quanto à avaliação da sua necessidade e aos impactos negativos ao nível da qualidade da água. Em causa está um investimento directo de cerca de 2,6 mil milhões de euros, (se acrescentadas duas obras de aproveitamento), todo suportado por empresas privadas, e a criação de cerca de 20 mil postos de trabalho ao longo da próxima década.

A garantia da manutenção da linha de rumo foi dada ao DN pelo presidente do Instituto da Água (INAG), Orlando Borges, num momento em que os projectos já se encontram todos pré-adjudicados, estando apenas pendentes dos estudos de impacte ambiental, em fase final de apreciação pelo Ministério do Ambiente.

Qualquer recuo neste plano teria um efeito negativo na economia e na meta traçada pelo Governo de reduzir a dependência energética do exterior, aumentando a capacidade nacional de produção de energia eléctrica dos 5 mil MW em 2010 para os 7 mil em 2020.

 

E agora? Somos um País dos Sabichões! Dos Cifrões? ou dos Aldrabões?

Vejam só a argumentação: “Porque, sublinha, “não se pode questionar a necessidade das barragens”. E, por duas razões. Primeiro, “ao contrário de outros países, Portugal está longe de atingir o limite do seu potencial hidroeléctrico, com este plano, ficando pelos 50%, quando há países que já chegaram aos 80%”. Depois, acrescenta, “se as barragens não tivessem viabilidade económica não teriam aparecido empresas privadas a investir mais de 2 mil milhões de euros e a darem 623 milhões de contrapartidas ao Estado. Por outro lado, Orlando Borges diz que o plano cumpre a directiva da água, mesmo que todas as barragens tenham impacte negativo na qualidade da água.”

Alguém acredita que o parecer do Ministério do Ambiente possa vir a travar o plano nacional de barragens?