Prosseguiam os trabalhos de trasladação da igreja…já quase toda rodeada de água
Prosseguiam os trabalhos de trasladação da igreja…já quase toda rodeada de água
Uma vista de Aceredo em 17 de Fevereiro de 1992
E a água ia subindo…
Passadas quase 2 semanas após o encerramento das comportas e em plena fase inicial de enchimento da albufeira, o interesse pelo andamento e desenvolvimento dos acontecimentos no terreno dava azo a “excursões” para ver o “crescer do embalse”. Vídeo registado no dia 19 de Janeiro de 1992. O viaduto de Lantemil.
Dezembro 1991
Depois desta noite nada passou a ser igual. Tratava-se da consciencialização do fim iminente.
imagens de arquivo de Francisco Baños©
No dia 25 de Novembro de 1991, o nível da água subiu de forma surpreendente, consequência das chuvas fortes dos dias anteriores. Talvez fazendo parte de uma estratégia de pressão e afirmação da força, este terá sido um momento decisivo neste processo de luta desigual e desproporcionado. As indemnizações ainda não estavam (todas) pagas, facto que revoltou ainda mais a população. Ao mesmo tempo, as relações entre populares e a empresa Cotec, empresa galega encarregada das obras de transladação da igreja de Aceredo, eram de enorme tensão. Atrasandando as obras da igreja, a população tudo fazia para protelar a subida das águas.
Foi no dia 18 de Novembro de 1991 que a EDP iníciou os pagamentos pelas terras e propriedades afectadas. O acto decorreu na Casa Consistorial de Lobios. Mesmo asssim, foi com atrasos e alguns percalços que os cheques foram sendo entregues. A presença de “agentes Bancários” que tentavam angariar para as suas instituições clientes novos, causou mau estar generalizado eforam apelidados de “corvos” pela população.
Foi também o dia que marcou o início dos trabalhos de traslado da Igreja de Aceredo. Até esta data a empresa que realizaria os trabalhos foi impedida pelos “afectados” de realizar qualquer trabalho. As pedras da Igreja começariam assim a ser numeradas, primeira tarefa de uma empreitada que levaria ainda alguns meses a terminar.
É isto que nos diz “La Voz de Galicia” na edição de 19 de Novembro de 1991
Depois de as partes terem concordado na nomeação de uma comissão de negociações que regularia as expropriações restantes, as coisas pareciam encaminhadas para um fim, não diria feliz, mas pelo menos, o mais feliz possivel; Isto é: “perdido, mas bem pago!”. Pois era um perfeito engano pensar assim.
Por um lado, a EDP queria acelerar o processo e não perder mais tempo. Por outro, a população sabia que poderia vir a tirar partido deste braço de ferro que travavam contra o gigante. Todas as armas eram válidas neste esgrimir desleal. É sobretudo o traslado da Igreja que alimenta este impasse. EDP e “vecinos” acusam-se mutuamente de incumprimento do acordo establecido. Recorde-se que foi este acordo que pôs fim à ocupação da Casa Consistorial. O Tempo e o Dinheiro eram os protagonistas principais…