Arquivo do mês de Março, 2009

Cimento vs Tradição

Terça-feira, 31 de Março, 2009

Hoje em dia, infelizmente, é tida como correcta a utilização – indiscriminada – do cimento Portland nas reparações e manutenções de construções antigas. Quer por parte de entidades que deveriam ser exemplares, quer por parte de particulares, que, imbuídos das melhores intenções e certos de “estarem a fazer muito melhor”,  assistimos a intervenções que deveriam ser evitadas e para as quais  deveria ser criada regulamentação. (alguma legislação existe mas, ou não se aplica, ou não se fiscaliza, o que vem dar ao mesmo penso eu!)

Sei que esta preocupação, para muitos, poderá parecer absurda, exagerada, errada  e ridícula. Sempre que tenho oportunidade de discutir assuntos relacionados com rebocos e conservação de construções antigas – feitas com as chamadas “técnicas Tradicionais”, raras são as vezes que não encontro forte resistência e argumentação contrária. Acredito que a maior parte das vezes, o desconhecimento total e a falta de observação e reflexão entre outros, são factores  geradores de tais ideias e/ou conceitos errados. Compreendo que quando se pensa em cimento, na mente da maioria das pessoas se geram conceitos de solidez, robustez e durabilidade. Não posso acreditar noutra coisa. São crescentes as intervenções com excessos de cimento e rebocos impróprios, que não são mais que atentados à continuidade dessas construções, uma vez que serão essas mesmas intervenções a ditar de forma antecipada a  sua sentença de morte.

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Não falo apenas dos grandes e nobres edifícios com valor patrimonial e histórico, geridos por organismos credenciados e reconhecidos. Falo também de construções de cariz popular destinadas à habitação, arrumos e outras construções, assim como dos muros de delimitação.

Porquê? Porque é errado o uso de cimento?

Não sendo especialista na matéria, procurei alguns textos e documentação relacionada para me apoiar. Pouco se encontra em língua Portuguesa.  Entretanto encontrei um texto  da SPAB traduzido. Como “os Santos da casa não fazem milagres”, o facto de ser um texto da Society for the Protection of Ancient Buildings, Tradução e edição por António de Borja Araújo, Engenheiro Civil, IST, poderá para alguns constituir motivo de espanto e argumentação credível.

Embora seja um texto informativo e de aconselhamento que aborda e levanta questões especificas de rebocos em edifícios, foca determinados aspectos fulcrais para o entendimento da problemática do uso do cimento, que facilmente podem ser transpostos para outras situações em construções com “técnicas tradicionais”.

Por agora deixo apenas este link  para o texto como primeira abordagem a este assunto, prometendo voltar a ele!

Altar de cabrões

Terça-feira, 31 de Março, 2009

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do Lat. altare

s.m.,

espécie de mesa de pedra destinada aos sacrifícios, nas religiões pagãs;

na religião Cristã, a mesa onde se celebra a missa;

fig.,

veneração;

religião;

culto;

Língua Portugues On-Line

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Vista desde o Altar de Cabrões. A fazer jus ao topónimo!

Mitos & Cultos

Domingo, 29 de Março, 2009

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O Médico de clínica geral está para o Especialista, assim como a Bruxa está para a Sr.ª de Fátima. Comente a frase.

Professor Doutor Coelho dos Santos

Ainda a serpente…

Domingo, 29 de Março, 2009

Hoje tive oportunidade de subir o penedo da Ermida de Nosa Señora do Xurés para observar mais de perto a argola metálica cuja existência já tinha  tinha comentado anteriormente aqui.

Efectivamente não se trata de uma argola, mas sim de duas. Encontram-se alinhadas e separadas cerca de 35 centímetros. Não muito distante, encontra-se um parafuso com anilha, bastante oxidado mas com aspecto relativamente  recente. Atrevia-me a dizer que, considerando as condições de exposição à intempérie, não terá mais de 2 a 3 anos. Pela forma de inserção na rocha, embora ignorante na matéria, estas argolas não me parecem  relacionadas com actividades de escalada como inicialmente cheguei a suspeitar. Tudo o que possa dizer sobre as minhas actuais suspeições  não passaria de mera especulação. Fica a foto. ( o parafuso de ferro não é visível)

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Aproveitei para fazer uma observação mais detalhada e minuciosa da parte superior da rocha em busca de outros possíveis registos. Nada detectei. Pude apenas observar o resultado característico de uma erosão agressiva, bem marcada na textura apresentada em toda a superfície.

Gado em Carris

Sexta-feira, 27 de Março, 2009

Embora um pouco cedo para aquilo que é costume, (as vezeiras iniciam-se em Maio) já há animais a pastar em Carris. Que bom foi ouvir aqueles chocalhos…

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Caprichos

Sexta-feira, 27 de Março, 2009

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A Natureza surpreende-nos…

Incêndio na Portela do Homem

Sexta-feira, 27 de Março, 2009

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Foi com um sentimento misto de tristeza e alegria que constatei “in loco” a acção do tão mediatizado incêndio no Gerês que lavrava no fim de semana passado na Portela do Homem, ameaçando a Mata de Albergaria. A minha tristeza não necessita explicações. Penso que é mais do que normal. Explico a minha “alegria”.

Pouco ou nada sei, para lá daquilo que é do domínio comum, relativamente a incêndios ou incêndios florestais, mais concretamente. Não me atrevo a explicar o que se terá passado com aquele fogo. A minha estupefacção prende-se com o facto de, vendo no terreno até onde chegaram as chamas, entender como os danos não foram maiores.

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Tentando perceber com mais precisão o que se terá passado na evolução e propagação, fiz algumas perguntas a amigos residentes em Lobios. Fiquei a saber que, desta vez, o vento foi o grande aliado dos bombeiros, contrariamente ao que costuma suceder.

Uma mudança de direcção do vento evitou que o fogo continuasse a sua progressão, quer no sentido Norte (fronteira) ou Poente (Mata de Albergaria). Terá sido?

Lixo…que se lixe!

Quarta-feira, 25 de Março, 2009

Se pode, e consegue, levar uma embalagem cheia para um ambiente natural, também pode certamente trazê-la vazia na volta. Embalagens vazias pesam pouco – necessariamente menos que cheias – e provavelmente ocupam menos espaço na mochila do que quando cheias. Quanto ao peso…não se desculpe com o cansaço e a poupança de energias. Aprenda a diminuir a quantidade de lixo, deixando em casa as embalagens desnecessárias.

Queimar ou enterrar o lixo, não são soluções aceitáveis. Além dos perigos de incêndio, há determinado tipo de embalagens que não queimam completamente, passando então a constituir lixo queimado. Enterrando hoje, amanhã poderá estar descoberto por uma linha d’água, um deslocamento de terras ou por um animal, entre tantas outras coisas possíveis de o desenterrar.
Falando de animais e do nosso lixo, recordo que a possibilidade de ingestão de lixo por animais – e o lixo que por aí vemos está relacionado na maior parte das vezes com as refeições, o que o torna mais atractivo – não tão rara vezes quanto isso – pode causar grandes distúrbios e sofrimento, podendo mesmo ser causa de morte. Um animal selvagem, facilmente engole sofregamente um pedaço de plástico, papel metalizado, ou qualquer outra coisa que envolva comida ou contenha os seus odores. Basta que lhe sejam apetecíveis e as circunstâncias assim o proporcionem. Há tempos, embora possa parecer pouco agradável ou interessante registar em fotos, dirão alguns, tive oportunidade de comprovar isto mesmo. As fezes que observei continham na sua extremidade um pedaço de plástico (?). Cuidadosamente removi-o no sentido de, e da forma mais conveniente, me “certificar” da natureza do material e fotografar.

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Traga TODO o lixo consigo. Os pequenos lixos – que por serem pequenos não são menos lixo – tais como papéis de rebuçados ou chocolates, por exemplo, habitue-se a metê-los ao bolso. O mesmo digo para as beatas dos cigarritos fumados. E quanto tempo permanece um filtro de cigarro? Nada tenho contra fumadores, mas não tolero o gesto displicente de lançar ou esmagar a beata no chão. Não resvale na ideia de que, sendo tão pequenino, não vai sujar. Todo o lixo é lixo, grande ou pequeno!

Outra situação prende-se com o lixo dito biodegradável. Um lixo que até parece simpático. A casca de banana ou da laranja que tão bem nos soube, a juntar com um bocadinho do pão que, com muita pena nos caiu ao chão, mais as casquinhas do queijo que ficam para os passarinhos, podem ser nefastos às dietas de muitos dos animaizinhos que por ai andam, rastejam e voam.

Habitue-se a acondicionar o lixo para trazer de volta. O saquinho que serviu para levar, também deve dar para trazer. Experimente! E é grátis. Mas se o lixo abandonado me incomoda, mais me incomoda ver aqueles saquinhos muito bem arranjadinhos, encostados caprichosamente atrás de qualquer coisa. “Atrás de qualquer coisa” entenda-se como “do lado que se vê menos”. Esconder atrás de uma pedra, num buraco ou onde quer que seja, constitui uma solução tão ridícula quanto aqueles que a praticam. É preciso coragem para tal! Todo ensacadinho, arrumadinho, mas esquecido ali “inocentemente”. Fico preocupado e envergonhado ao mesmo tempo.
Preocupado porque, os que assim procedem, com condutas tão repugnantes em coisas tão simples e primárias, certamente procederão de igual modo desrespeitando outros princípios fundamentais enquanto andam por essas serras. Seria ingénuo ao acreditar que quem deixa um saco de lixo abandonado, se preocupa com o que quer que seja.
Envergonhado porque tenho concidadãos capazes de tais comportamentos. Comportamentos execráveis mais que demonstrativos de que, a sensibilidade e entendimento necessários para aceitação de valores e princípios universais, fica ainda muito aquém do aceitável.

Valeu-me a companhia!

Sábado, 21 de Março, 2009

hpim6557Que prazer caminhar à porta de casa com amigos assim. A minha motivação para a caminhada de hoje passou pelos amigos, não pelo trilho. A zona, embora a não tivesse visitado nos últimos 15-20 anos, é minha conhecida desde a infância. Foi bom recordar as primeiras experiências Outdoor daqueles tempos…ver como tudo se modifica aos nossos olhos, e se consolida como o sendo “sempre mesmo” nas nossas memórias e recordações. Saudosismo, evolução e envelhecimento foram ideias que giraram em carrossel no meu imaginário, como que uma dança de salão muito ordenada. Outra forma de nos vermos pequeninos perante a natureza…
Mas basta de lamechas. Foi muito agradável o tempo passado. Valeu-me a companhia!
O nevoeiro, que preguiçosamente se recusava a levantar, em nada perturbou o passeio. Quando cheguei ao local de encontro ainda pensei no ditado “Sta. Luzia de Touca, Chuva Certa. Muita ou Pouca”. Mas não. Não estava de “touca”.(1) Todo o vale e foz do Lima sofriam este fenómeno comum de uma névoa “térmica”, que, normalmente, se desvanece com o aquecimento matinal. Esperava-se um dia de sol e com as temperaturas altas dos últimos dias. E a névoa lá foi levantando à medida que o Sol se impunha, também preguiçosamente.
Distribuídos os folhetos informativos, gentilmente disponibilizados pelo grupo responsável pela homologação do trilho, Viana Trilhos – Grupo de Montanhismo de Viana do Castelo – ao qual agradeço e felicito, iniciamos o trilho. Lá fomos progredindo, sobretudo fascinados pelo facto do trilho se desenvolver precisamente sobre o “cano”.hpim6566
É  louvável a conservação do trilho face à praga de “mimosa” ou “austrálias”, que invadem a região. Interessante foi também reflectir sobre o “cano” e a “água”. O trabalho que ali está! O tempo gasto! A técnica! O saber ( hoje será melhor dizer o Know How! Muito mais moderno, não?), ali debaixo dos nossos pés, literalmente, como há gerações e gerações atrás. O tempo, que hoje se chama, “HORA+IVA”, era a coisa mais barata e abundante da época. As coisas, as obras, eram feitas porque eram necessárias e faziam falta, e respeitavam os materiais, as técnicas e a natureza. Hoje em dia são feitas porque respeitam um plano político e são convenientes às circunstâncias. Mas sempre foram feitas assim, não foram’? Foram pois. A diferença está no respeito pela natureza. Esse simples entendimento.
E a Natureza está-se marimbando para os políticos e para todos e quaisquer que a desafiem, consciente ou inconscientemente.
Mas basta de lamechas.  Foi muito agradável o tempo passado. Valeu-me a companhia!hpim6582
Terminado o cano, retornamos ao “urbano”.  Desta feita,  S. Mamede. O pagão, o laico,  o religioso, o cristão, fundem-se com arco-voltaico e eléctrodos próprios dos tempos actuais. Uma fusão muito singular que, sem deixar de ser progresso e evolução natural, são a descaracterização irreversível e o afastamento das tradições. Tradições, essas tão apregoadas e apanágio dos (duvidosos) promotores turísticos e operadores de turismo rural, que morrem às suas próprias mãos.
Mas basta de lamechas. Foi muito agradável o tempo passado. Valeu-me a companhia!
…e depois Almoçamos! com maiúscula, não é gralha, ou o corrector automático. Não! nada disso. Foi um almoço com “A” maiúsculo. A Cortesia do Paulo e do Mário como “Chefes”, a Simpatia anfitriã da Paula, a Mestria do escanção Rebelo coadjuvado pelo André…uhhhh. (é um UHHHH, quase erótico!) Que repasto. Não comparo com o Guia Michelin porque só vai até às três estrelas. Limite muito inferior para a situação. Soberbo! “NADA” foi a a única coisa que faltou.
E faltava a foto final. Tinha que ser em frente ao Templo! Fotógrafos? Não faltavam. Mais um casamento, matrimónio(?) ,estava a terminar naquele Templo. Fácil foi encontrar fotógrafo(a) e não ter que fazer as conhecidas figuras ridículas da foto de grupo!hpim6588
Valeu-me a companhia!

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(1) A “touca” de Sta. Luzia é a denominação popular, quando não se vê o Templo devido às nuvens baixas, no entanto sem o nevoeiro (névoa de carácter térmico essencialmente), típico do micro clima de Viana do Castelo.

O mural e a moral

Quinta-feira, 19 de Março, 2009

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Pode ver-se implantado na parte superior do rochedo uma argola metálica. Não percebo rigorosamente nada de escalada e dos seus materiais, mas parece ser uma dessas ferragens para passar cordas utilizadas em escalada. Não pude observá-la de muito perto motivo pelo qual nada posso dizer relativamente ao modo de fixação e qual a sua finalidade. Possivelmente esta pedra e a parede que forma sobre a encosta, já foram exploradas e serviram de palco a algumas actividades. Até aqui tudo bem. Mas…

Outra actividade para a qual infelizmente o rochedo serviu, foi a pintura mural executada por gente de moral duvidosa!

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