QUO VADIS- 1245… DOS MEUS AMORES

Caminhar, é também,  um exercício de reflexão.

Em determinados contextos e ocasiões, digamos que privilegiados, a singularidade de alguns cenários reflecte-se no nosso quotidiano, enriquecendo(-nos) o trilho!

Foi assim que, quando caminhava no Domingo passado com o Rui, senti algum incómodo ao ser acometido de pensamentos menos próprios do “genius loci” onde me encontrava.

Incomodava-me o facto de serem pensamentos contrários ao momento que eu desejava. Que fosse simplesmente um momento contemplativo, mais nada. Certo é que, por mais de uma vez, abordamos o tema da portaria 1245 nas conversas que entabulamos  ao longo do dia.

Mas, ali, em cima de um muro, não muito seguro, em direcção ao indefinido e difuso futuro próximo, involuntariamente, invadiam-me pensamentos desagradáveis… A 1245!

Uma vez chegado a casa, enquanto visualizava a foto apresentada em cima, pareceu-me evidente a transformação que me propunha fazer-lhe. Meu dito meu feito! e aqui está ela:

– Em primeiro plano, a negritude do futuro. O “presente” está negro;

– À esquerda, um corredor de gelo, onde tudo escorrega;

– À direita, tudo congelado e estagnado no tempo. Ainda mais à direita, o abismo. Negro de todo;

– Ao fundo, a indefinição.

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Estou, ao mesmo tempo, a recordar as vozes que ouvi por essa blogosfera fora. Vozes de descontentamento que cantaram em uníssono!…mas que, espero estar enganado, (haja esperança), esmoreceram e definharam.

– Onde estão as idas a Lisboa, com manifestações radicais?

– Onde estavam os caminheiros no dia 23 para apoiarem os residentes no PNPG, nomeadamente as federações, os clubes e as associações?

– Onde é que se sente a “luta” de que tanto se falou?

Sabem o que penso?

Temos o que merecemos! Basta incrementar o contraste das duas fotos.

6 comentários a “QUO VADIS- 1245… DOS MEUS AMORES

  1. Olá,
    Uma maneira de encarar a dura realidade!
    Parabéns pela reflexão!
    Mas na minha opinião insuficiente para acordar os “duros radicais” os “ditos” montanheiros defensores das Serras e das suas Gentes!
    Sei quando eles vão aparecer, será quando tiverem oportunidade de terem 5 minutos de protagonismo e de se mostrarem nas camaras e nos seus blogs!
    Abraço

  2. Olá 🙂

    Só vou colocar uma questão, o resto é com cada um, ver, e actuar (na altura certa, e no seu espaço de intervenção).

    Quantos manifestantes – dos residentes do PNPG – estavam no dia 11/12?!?!!?
    (comparar com a manif. organizada por eles).

    Cá estou, e estarei a lutar pela causa…comum!
    (sem holofotes)

    Contra a TAXA, marchar, marchar

  3. Boas!
    Antes de mais é sempre bom saber que há pessoas que tal como nos se preocupam e que nunca esquecem os problemas que pairam sobre o PNPG…
    Apesar do excelente texto deixa me dar te a minha visão pessoal do caso…Pouca me importa se tenho 10 ou 100 a meu lado nesta luta, sei obviamente que o impacto não sera o mesmo, mas creio que o problema começa no momento em que cada um de nos se mostra mais preocupado em olhar para o lado á procura de apoio ou a questionar-se porque é que X ou Y não veio, do que olhar em frente e encarar a luta sem nunca desviar o olhar do “inimigo”.
    Isto não é uma critica a ninguem nem serei eu a voz da razão nem o exemplo a seguir, mas é e sempre será a minha maneira de levar a vida.

  4. Boa noite
    Surgem alguns comentários a “acusar” quem, vivendo no território do PNPG, não esteve na marcha contra a Portaria das taxas, ou, quem tendo estado nesta marcha, não esteve depois na manifestação dos Povos da Peneda Gerês.
    Acho que não podemos misturar as coisas, pois os objectivos de cada acção eram diferentes, bem como os promotores. Aliás, poderá até acontecer que apareça, entretanto, outro motivo para nova acção, com pessoas diferentes.

    É claro que nos preocupa muito o desnorte ambientalista e que as taxas são absurdas e vão prejudicar populações locais e os amantes da natureza e do montanhismo. Para nós, que vivemos dentro de uma área protegida, as taxas são mais um dos problemas, não sendo todavia o mais importante. Ao contrário, para quem nos visita, as taxas possam a vir a constituir o principal problema de facto.
    Em suma, são situações complementares, sentidas de forma diferente, consoante a posição de cada sujeito. Por isso, ambas merecem respeito.

    Entrando agora mais concretamente nas taxas do ICNB, ou melhor, na Portaria 1245, ou outras que a vão substituir, devemos estar muito atentos e pressionar os decisores políticos porque, na minha opinião, existem as seguintes ameaças:
    1. É preciso acautelar o prolongamento da suspensão da Portaria 1245/2009, pois a nova portaria não vai sair em tempo oportuno para a revogar;
    2. Parece que a solução passa por publicar não uma mas duas portarias, uma para ajustar o preço dos serviços do ICNB com os outros serviços do Estado e outra para tratar especificamente sobre a visitação e o acesso às áreas protegidas;
    3. Parece que não estão a cuidar de diferenciar o acesso e a visitação a terrenos do Estado de terrenos privados e baldios;
    4. Deveria existir diferença entre as actividades de visitação com fins comerciais, das restantes.

    Por fim, chamo a atenção para a regulamentação que ainda vai ser produzida, com a carta de desporto de natureza de cada área protegida, que fixará as cargas, os períodos de acesso, as condições da prática, etc. Ou seja, depois de o Plano de Ordenamento eventualmente abrir a porta à visitação ou ao acesso (ainda está para sabermos o que isto vai querer dizer) e de existir uma eventual taxa a pagar pela actividade, poderá acontecer que ela não se possa realizar porque já não há vaga, por estar fora do período de autorização, ou faltar um qualquer requisito ao interessado.
    Tudo isto para dizer que durante as últimas décadas de domínio ambientalista, de uma falsa ideia de protecção da natureza, temos de estar muito atentos às “manobras” que vão aparecer para limitar, condicionar ou até proibir o acesso e a visitação às áreas protegidas.

    Termino apelando ao respeito pelas populações locais, suas propriedades e seus usos e costumes; à visitação responsável; ao controlo e à fiscalização efectivas; às acções de recuperação e de protecção dos valores naturais; e à verdadeira promoção da natureza, do ambiente e da biodiversidade, onde o Homem é um elemento essencial dentro da Peneda Gerês.

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